Thursday, 28 August 2008

PRAZER PROIBIDO



Às vezes várias vezes ao dia, às vezes várias vezes seguidas. Toco-me sem me deixar vir. Aprendi por imposição um novo e insuspeitado prazer em conter o orgasmo, que ultrapassa o imediato e fulminante, o pronto-já-está-vira-te-para-lá-e-dorme. Provoco-me com pensamentos, com toques mais ou menos bruscos, mais ou menos demorados, com ordens inventadas, com vozes autoritárias dentro da minha cabeça. Com objectos, com as mãos , com jactos de água contra a pele arrepiada, com contracções e relaxamentos alternados, com dedos que deslizam pela pele escorregadia, que penetram, que esfregam, que beliscam, que tão depressa quase esmagam o clitóris como o afloram com uma delicadeza inesperada.Transporto-me para cenários de lascívia, perversão ou, mais raramente, cenas de paixão intensa onde vozes brandas me conduzem por prazeres delico-doces, diferentes formas de me mimar. Prolongo o prazer por tempo indeterminado, até atingir aquele ponto de quase não-retorno em que tenho que me esforçar para inverter o fluxo, o corpo retesado para não deixar transbordar o êxtase, mantenho-me num patamar de prazer intenso, duradouro, viciante, na antecâmara de um orgasmo iminente que nunca chega a acontecer. Porque Ele não quer.


Wednesday, 27 August 2008

ECHOES



Adapto-me aos traços do meu Dono, como água que escorre num leito acidentado. Os meus braços tem a forma do Seu corpo, os meus pensamentos o contorno da Sua alma.

Estico-me e encolho-me à medidas das Suas vontades, acendo-me ou apago-me conforme os Seus desejos.

Procuro começar a existir logo onde o meu Dono acaba, sem intervalos nem espaços em branco, como prolongamento Seu que sou. Procuro derramar-me no chão como a Sua sombra ou estender-me repetidamente no espaço como um eco de Si.

Tuesday, 26 August 2008

TRICKY QUESTION...















"Se pudesses escolher preferias evoluir na dor ou na degradação?" - Fiquei com a pulga atrás da orelha. A pergunta contem em si o efeito nr. 1 : sinto-me cercada, sem escapatória possível. E imediatamente molhada. Mais rápida do que eu, a minha mente visualiza num ápice todos os possíveis cenários.

Nunca minto ao meu Dono, mas admito que, por vezes, ainda tenho aqueles pensamentos tortuosos próprios das mentes femininas...Penso qual a resposta que mais Lhe agradaria ouvir. Penso no objectivo da pergunta. Continuo em silêncio, a minha imaginação sobrevoa todos os pormenores. Prazer por antecipação.

Já estou habituada, as minhas frustrações advem invariavelmente de conflitos de atracção-atracção. Entre querer isto e querer aquilo é-me sempre díficil escolher. E, qualquer que seja a minha resposta, o resultado afigura-se-me como escolher entre a panela de água a ferver ou cair no lume...

Ainda atordoada de indecisão, respondo baixinho : Na dor, meu Dono...

Monday, 18 August 2008

Friday, 15 August 2008

SUBMISSION


It is not about logic or reasonableness. Submission is about deep feeling, deep devotion and deep joy.

Wednesday, 13 August 2008

O




Porque mereci, porque Lhe apeteceu ou muito simplesmente, porque sim. Esfrega-te, cabra. Masturbar-me suaviza a dor de ser enrabada a frio. A dor e o outro prazer, em simultâneo. O meu cérebro processa esta associação, mais uma vez. O meu Dono fala comigo, comanda o meu prazer, doseia-o. As Suas palavras tem um efeito brutal sobre mim. O meu corpo ferve, deixo de ter noção de tempo, de espaço. Tudo o mais à minha volta deixa de existir cristalizados num ponto, eu e o meu Dono. Tudo o resto desaparece à medida que o prazer se adensa.

O meu Dono faz-me aguentar, suster o orgasmo iminente. Sinto-o dentro de mim, num refluxo que tenho que conter, o resultado acumulado de todas as vezes que me toquei sem me deixar vir, como o Dono quer. Sinto-me naquele ponto de ultra sensibilidade que precede os momentos memoráveis. Sinto-me caminhar na beira do abismo.

À voz do meu Dono, o meu corpo obedece, liberta o prazer tanto tempo contido. Venho-me em queda livre, sacudida em todas as direcções. Não é o simples prazer da carne, que me irradia do centro do corpo em ondas espasmódicas, ritmadas, é um prazer que transcende o físico, que me entorpece a mente como uma droga. É inevitável chorar quando me venho assim. Dedico silenciosamente este prazer ao meu Dono.

Obrigada meu Senhor, meu Dono, por me conceder momentos como este.


Sunday, 10 August 2008

SUBMISSA ?


Ser submissa é querer tudo e não esperar nada.
É esperar tudo e não pedir nada.
É pedir tudo e contentar-se com nada.
É fácil ser-se submissa quando o Dono vem, quando o Dono amarra, quando o Dono bate.
É fácil ser-se submissa com uma coleira no pescoço, de joelhos em frente ao Dono, de quatro no chão.
Difícil é ser-se submissa quando o Dono não vem, quando o Dono não dá. Esse é o verdadeiro teste de submissão. Quando não há uma chibata ou uma ordem clara, quando não se está a ser usada, quando não se está a ser humilhada.
Nesses momentos, procuro não me esquecer que é a este homem que eu me submeto porque é a este homem que eu me quero submeter. Procuro não me esquecer que é exatamente isto que eu quero, submeter-me à vontade do meu Dono seja ela qual for.
Quando detecto em mim um leve vestígio de desejo, preferência ou qualquer outra manifestação da vontade, qualquer indício de pensamento tóxico, algum rastilho de ideia subversiva, remeto-me à forma primordial, à mais pura submissão, genuína, desinteressada, profunda.
Como uma cadela fiel, mantenho-me deitada no tapete da entrada da nossa história comum desde que o Dono sai até que o Dono chega. Nada se passa entre um momento e o outro. Nunca me ocorreria perguntar porque demorou tanto, mas apenas abanar a cauda de felicidade por ve-Lo voltar.


Friday, 8 August 2008

CRUELDADE II



... é ser fodida, dobrada sobre a bancada da cozinha, com seringas espetadas no rabo...


Monday, 4 August 2008

O SILÊNCIO DOS CULPADOS


Não sei se com as outras escravas acontece assim.

A mim, quando estou uns dias sem notícias do meu Dono, a primeira coisa que me ocorre é "onde terei falhado?"

Começa por uma leve preocupação que, conhecendo a minha tendência para tirar conclusões precipitadas, vou afastando do pensamento; depois uma ligeira inquietação, como se as coisas - mesmo as que gosto - fossem aos poucos deixando de fazer sentido, só porque ao fundo me falta o meu Dono.

Esquadrinho todos os momentos, tudo o que disse, o que não disse , o que fiz, o que deveria ter feito. Revejo mentalmente as minhas atitudes e procuro qualquer coisa que possa ter desagradado ao meu Dono.

Na minha cabeça de escrava submissa assumo tacitamente a culpa pelo que fiz e pelo que não fiz.

Dispersa entre a angústia de não saber, a sombra de uma sentença antecipada, a preocupação com o bem-estar do meu Dono, resisto estoicamente à tentação de saber porquê : Não tenho o direito de importunar o meu Dono com as minhas dúvidas, as minhas inseguranças - fundadas ou infundadas.

E como conheço bem o meu Dono, como confio cegamente nas Suas decisões, nos Seus timings, como respeito profundamente as Suas preferências e as Suas prioridades, resigno-me a aguardar pacientemente em silêncio o momento em que queira voltar a dar-me o prazer supremo da Sua presença.




Thursday, 31 July 2008

OU NADA


Adoro quando, num segundo, o meu Dono vira a minha vida toda de pernas para o ar. Quando me obriga a malabarismos, a soluções improvisadas no momento, a usar a imaginação. Adoro quando me faz virar-me do avesso para conseguir aquilo que Ele manda.

Pode até não parecer, mas sou uma pessoa normal :-) Tenho um vida profissional responsável, uma vida familiar gratificante, uma vida social preenchida q.b. Como toda a gente tenho compromissos, coisas a fazer, sítios onde ir, assuntos a tratar. Nunca tenho "tempos mortos" nem sei o que é fazer coisas para "matar o tempo". Aliás, a maior parte das vezes o tempo não chega para fazer tudo o que quero.
Quando planeio o meu dia, deixo sempre um largo espaço móvel, para a eventualidade de o meu Dono me chamar. Como aqueles cubos em que é o espaço vazio que permite mover todas as outras peças de forma a construir um desenho lógico.
Apercebi-me que não o faço racionalmente, de forma totalmente consciente, mas que está naturalmente implícito na maneira como planeio as coisas.
O meu Dono é a minha prioridade e tudo o resto decorre a partir dessa premissa.
Gosto de pensar que essa é minha mais-valia, poder ser flexível, adaptar o meu tempo ao tempo do meu Dono.
Adoro quando tenho o dia todo muito bem planeado e de repente tenho que alterar tudo em função Dele, mover as peças todas de forma a construir o melhor de todos os cenários, a presença do meu Dono.
Nunca sei quando me vai chamar : podem passar-se dias, semanas ou então querer-me dois ou mesmo três dias ou noites seguidas, ou, como ontem, duas vezes no mesmo dia...
Salvaguardado um ou outro aspecto da minha vida, um ou outro raro momento em que possa estar temporariamente inacessível, basta uma mensagem, um telefonema do meu Dono para eu largar tudo o que estou a fazer e voar para Ele.
Não raramente tenho que fazer voltas de 180º, voltar à estaca zero, desmarcar tudo, adiar reuniões, inventar desculpas esfarrapadas. Ou, já com Ele, atender o telefone (só em última instância) toda nua com molas nas mamas ou com um plug enfiado sabe-se lá onde.
Quem me conhece já sabe e quem não conhece habitua-se a que é comum surgirem-me imprevistos.
E, óbviamente, nunca sei o que o meu Dono vai querer fazer comigo ou como o vai querer fazer. Se de alguma forma pensou em alguma coisa ou se me domina ao sabor do momento.
Adoro quando me confronta com situações que me fazem quase desabar e no último momento me agarra por uma ponta, mesmo a tempo de não cair no abismo, quando me estilhaça as ideias pré-concebidas, quando me arrasa os conceitos, me sacode, me baralha, me confunde, me faz construir laboriosamente argumentos irrefutáveis e depois, num ápice, mos desmonta e por a+b me mostra que não tenho nada que pensar, apenas sentir. Que não tenho nada que analisar, apenas servi-Lo.

Temos longas conversas filosóficas, eu toda nua aos Seus pés, a chupar-Lhe o sexo, enquanto disserta sobre a espantosa simplicidade de tudo.


APANHADA NA TEIA


Chegou com uma mala na mão. Mandou-me buscar as cordas. Ordenou que me deitasse no chão. Abriu a mala. Eu não disse nada, não perguntei nada. Há alturas em que o silêncio é mais do que suficiente. Atou-me cuidadosamente cada tornozelo junto à coxa, pernas abertas, presas por uma corda a cada gancho na parede. Os pés, mal apoiados no chão. Depois ata-me os pulsos um ao outro, as mãos em prece atrás da cabeça, daí outra corda esticada, presa à perna do sofá. De um gancho ao outro passou mais uma corda, esticada. Experimentou-a para ver a tensão.
À minha volta, o meu Dono vai construindo uma teia. Cada gesto Seu, cada volta da corda me transporta a um familiar recanto interior.
Dois clamps nos mamilos, presos entre si por uma corrente, que por sua vez é presa numa corda, que é presa numa outra corrente onde, para meu enorme espanto, vai colocando um a um desconhecidos pesos prateados. Lindos, brilhantes, deixam-me fascinada enquanto vão puxando a corrente e repuxando-me os mamilos até querer rasgar. Envolta por cordas geométricamente ligadas, sinto-me como uma mosca apanhada numa teia gigante.
Ao fundo, sinto a corda oscilar. O predador prepara-se para comer a presa. A aranha dirige-se impiedosamente para o insecto. O meu Dono senta-se então no chão e sinto "aquilo" a vibrar entre as minhas pernas.
À medida que aumenta o prazer, aumenta a dor, com outro peso colocado na ponta da corrente que me estica os mamilos. Impossível distinguir onde começa uma e acaba outro, misturam-se, confundem-se, levam-me ao extase. Não tenho autorização para me vir, também não a peço. Aquela doce tortura sabe melhor que qualquer orgasmo e eu prolongo-a até onde o meu Dono deixar.Torço-me, encolho-me, sacudo-me em espasmos, faço derivar o prazer do meu centro para a periferia, num quase descontrolado circuito eléctrico.
Os braços, amarrados e esticados atrás da cabeça, começam a doer vagamente. Aliás, tudo à minha volta é vago, excepto o prazer intenso e a dor crescente e, ao fundo a figura do meu Dono. Predador ou menino travesso que se diverte a desmontar o brinquedo? Nunca saberei, suponho. Não trocamos uma palavra, apenas os meus gemidos se perdem por entre a música de fundo. Give me a reason to love you, give me a reason to be a woman, I just want to be a woman, so don't you stop being a man...
Era capaz de ficar ali para sempre, torturada e forçada ao prazer, mas o meu Dono começa a desatar os nós. Não consigo evitar um ligeiro queixume, é mais forte do que eu, não quero sair da teia, quero apenas os contornos vagos de tudo e a figura do Meu Dono, muito nítida, entre a dor e o prazer.
O meu Dono limpa-me uma lágrima, leva-a à boca e eu pergunto-me o que terei feito para merecer tudo aquilo. Não precisei esperar muito para saber, o meu Dono adivinha-me os pensamentos : voltaste a escrever no blog. Ah! isso. Não o fiz para ganhar alguma coisa, fi-lo apenas com o primeiro e último propósito de agradar o meu Dono. E porque às vezes preciso gritar a felicidade que Ele me faz sentir cá dentro.
P.S. Esta foi a foto que encontrei mais parecida com os pesos que o meu Dono usou em mim. Fica no entanto, muito aquém do original.

CRUELDADE É...


... ir directamente de uma sessão com o Dono para um jantar de aniversário sem passar pela casa partida e sem receber dois contos.

Monday, 28 July 2008

EU NÃO SOU EU MESMA


Perguntei-me o que aconteceria à submissão se não tivesse como se expressar. À minha, naturalmente. Pensei que pudesse por si mesma transmutar-se ou que fosse capaz de a sublimar ou pura e simplesmente esquece-la. Fechá-la numa qualquer gaveta cá dentro, quem sabe eliminá-la como quem faz delete no teclado de um computador.
Talvez até o conseguisse fazer, se a minha submissão fosse meramente física, se existisse em mim unicamente como uma das tantas formas de obter prazer carnal. Nesse caso, poderia talvez substitui-la por outra forma qualquer, ou deslocá-la para outro dominador qualquer. É certo que adoptar uma postura submissa perante o meu Dono me dá uma tesão incontrolável, mas não se resume a isso. A minha submissão ao meu Dono expande-me, torna-me muito maior. Alguém que uma vez me viu aninhada aos Seus pés me disse que, submissa a Ele, eu brilho. De facto, aos Seus pés, sinto-me cintilar, irradiar tudo o que de melhor eu tenho dentro de mim.

Não descobri agora que a minha submissão vem de dentro, de algum sítio em mim onde eu não chego para poder manipular da maneira que mais me convem, mas descobri agora que eu não sou eu mesma. Sou uma parte Dele, uma célula desgarrada que Deus se esqueceu de incorporar quando O largou nesta fantástica aventura, um pedaço extraviado que só faz sentido quando encontra o Todo.
Também não descobri agora que a minha submissão, embora exista latente em mim, só se manifesta perante o meu Dono mas agora mais do que nunca pude comprová-lo.


Acredito que os homens nascem livres e iguais. Tenho fortes convicções, baseadas em argumentos lógicos, consistentes e irrefutáveis, que não há supremacia baseada no género, na cor, na espécie, em nenhuma característica inata ou adquirida. Nada nos faz superiores ou inferiores a ninguém.
Nada, excepto esta força que me puxa para o chão quando estou perante o meu Dono. Esta vontade de Lhe fazer as vontades, de me anular perante Ele.
E se as circunstâncias por alguma razão que desconheço nos levaram a pontos geográficamente distantes, a minha submissão a Ele manteve-se inalterável.
Na verdade, tudo que não seja a minha submissão a Ele me soa a falso, anti-natural e incongruente. Tudo que não seja a minha submissão a Ele, me arranha, me agride, me magoa. Me é estranho. É como se eu tivesse feito uma plástica; por fora, aos olhos dos outros pareço diferente, mas por dentro eu sou a mesma. Aprisionada numa imagem de mim que não corresponde à verdade, é como se vivesse encarcerada num corpo que não é o meu.
Procurei então, dentro e fora de mim as respostas. Perguntei a mim mesma o que é que me traz equilíbrio e felicidade. Deixei as coisas encontrarem os seus lugares, como um elástico que se estica até se deformar e depois, lentamente, retorna à sua forma natural. Também eu, ao retornar a Ele, me sinto retornar a mim, ao original, à essência, como se uma e outra coisa fossem, simplesmente, a mesma coisa.



Wednesday, 12 March 2008

A SLAVE IS BORN


Quase consigo vê-Lo, sentado na beira de um banco alto, frente ao estirador, esboços amontoados uns sobre os outros, as longas barba brancas a arrastar sobre o papel milimétrico. De tempos a tempos, recosta-se preguiçosamente, toma alguma distância dos traços, entrelaça os dedos na nuca. Apaga, corrige, refaz. Arregaça as mangas, suspira. Demora a ficar satisfeito, exigente com cada pormenor. Detem-se nos contornos, nos volumes arredondados, nas curvas pronunciadas. Acrescenta, modifica, retoca. Aposta no lado prático, para que tudo funcione como deve ser.
Tem que ser robusta, para aguentar a pressão. No entanto, deixa sobressair alguma fragilidade, um certo ar inocente.
Dá uma vista de olhos na folha de serviço : Tem que ser algo imperfeita, para se poder moldar. Vai ter que usar o corrector, paciência, mas nenhum pormenor pode ser deixado ao acaso...
Faz uma pausa para um café bem forte, expresso, com muita espuma, mas rapidamente retoma o trabalho entre o fumo azulado do cigarro obrigatório.
É preciso não esquecer o prazo de entrega, cumprir escrupulosamente os dead-lines. Um atraso e tudo pode falhar. E logo com esta, que tem ainda que dar muitas voltas antes de ser entregue ao destinatário. Desta vez teve até que inverter a ordem dos projectos, às vezes acontece, não é que goste muito, mas é necessário coordenar as coisas.
Mais uns ajustes, reavalia as medidas, as formas redondas. Finalmente, parece dar-se por satisfeito.
Recolhe as folhas dispersas sobre a mesa, junta-as, guarda-as cuidadosamente numa capa transparente, arquiva no dossier : Projectos a executar 61/09
Levanta-se, um pouco curvado pela postura incorrecta, estica-se empurrando as costas na região lombar, boceja, pega no sobretudo. Verifica se tem as chaves no bolso, apaga a luz, bate a porta.
Mas, acto contínuo, volta atrás, retira às pressas as folhas da capa transparente, e, assim mesmo em pé e de sobretudo, faz uns acrescentos no desenho, decidido, convicto.
- Eh pá, já me ia esquecendo, tem que ter mamas! Se é para ser escrava do JB, tem que ter mamas!

Esta é pois a única explicação credível para o facto de, numa família de mulheres de mamas pequenas, eu ter saído assim mamalhuda.

(Inspirada num certo Deus pasteleiro, da Esparsa, que recomendo vivamente http://daimobilidade.blogspot.com/2008_02_01_archive.html )

REFLEXO CONDICIONADO




A depilação é, naturalmente, escolhida pelo meu Dono. Ao princípio queria-me totalmente rapada mas, de há uns tempos para cá, não quer que me depile no monte de vénus. O resultado do farto triângulo peludo em contraste com os lábios lisos, violáceos, sem pelos, é inesperado, como uma queda abrupta de uma ravina.
O que não sei muito bem explicar é porque, sempre que faço a depilação, os lábios incham, tomam proporções desmesuradas. Não sei se é o contacto com a cera morna, quase quente que os faz intumescer assim ou se, qual cão de Pavlov, a simples ideia de cumprir uma ordem do meu Dono desencadeia em mim mecanismos de resposta que os fazem encher como um balão entre as pernas.
By the way, também salivo.



Friday, 7 March 2008

BEAUTIFUL AGONY



A partir de hoje não te vens sem a minha autorização. Nem sózinha. Podes brincar, mas não te vens.
Gostava de ter visto a minha cara. De incredulidade, de surpresa, de doce apreensão, de sublime satisfação. Esperei sem esperar tanto tempo por este momento, habituada à ilusão de que controlava o meu próprio prazer, que provavelmente já não acreditava que fosse sequer importante. Mas é, e o momento, como sempre, é o exacto, nem mais nem menos.
Controlada no último reduto da minha intimidade, restringida naquilo que tenho de mais secreto, de mais selvagem, de mais lascivo, que mais poderia eu querer?
A simples ideia do prazer doseado, distribuido, concedido ou negado por pura vontade do meu Dono, faz-me contorcer de excitação. A satisfação como prémio ou como simples capricho do meu Dono. Prazer a conta-gotas, comandado à distância. O pecado ao alcance da mão e no entanto inacessível, proibido, vedado. A excitação acumulada, a tensão levada ao extremo, o desejo insatisfeito, a revolução dentro de mim.

HISTOIRE D'O


Obrigada. Meu Dono.

Thursday, 6 March 2008

DESENHADA PARA SER SUA



Quando, de qualquer uma das infinitas formas de o fazer, o meu Dono toma posse de mim, eu percebo a verdade. Percebo-a com o corpo e com tudo o que habita dentro dele. Sei, na totalidade de mim, que toda eu fui pensada para ser Sua. E só ao sentir a Sua posse, o Seu poder, o Seu domínio, eu posso dar expressão aos mais altos desígnios de cada uma das minhas células, de cada milímetro do meu corpo e da minha alma. Sem isso, apenas sobrevivo num mundo estranho que não é o meu.

Wednesday, 5 March 2008

RUNNING TO STAND STILL


...She runs through the streets with her eyes painted red
Under black belly of cloud in the rain
In through a doorway she brings me
White gold and pearls stolen from the sea
She is raging...
She is raging and the storm blows up in her eyes
She will suffer the needle chill
She is running to stand still
(U2-The Joshua tree)

Saturday, 23 February 2008

Thursday, 21 February 2008

Saturday, 16 February 2008

IT IS


It's a thing of softness, heat, devotion, obedience, service, beauty and love. In it, I am happy and fulfilled. Completely, perfectly, totally. As a total woman. As I could be in no other way.

Witness of Gor

Friday, 15 February 2008

Thursday, 14 February 2008


NEXT


Quieta, aguardo instruções. Aguardo que o meu Dono, numa manhã de nevoeiro, venha tomar posse daquilo que é Seu. Desnorteada, como uma cadela largada na berma da estrada, tento em vão encontrar o caminho de volta num labirinto de possibilidades infinitas : as pernas não andam sem ordem, as palavras morrem ainda na garganta, os gestos apagam-se no vazio como chama sem oxigénio. A escrava privada do Dono murcha como uma flor arrancada esquecida ao sol.

Tuesday, 5 February 2008

SLAVE TO THIS LOVE


Amo o meu Dono sobre todas as coisas. Amo-O, com todos os ingredientes do amor. Com uma paixão irresistível e avassaladora, extrema, quase violenta. Amo-O imoderadamente. Com uma ternura comovente, minuciosa, quase peganhenta. Amo-O todos os momentos do meu dia. Amo-O excessivamente, furiosamente, pervertidamente. Com um amor cúmplice, conspirador, lunático. Amo-O com amor guloso. Amo-O demoradamente como quem saboreia um fruto exótico, amo-O a correr, entre uma coisa e outra. Amo-O desajeitadamente. Amo-O com amor reverente, respeitoso, submisso. Amo-O com uma loucura inocente, fresca, quase pueril. Amo-O com um amor febril, ardente, quase virulento. Amo-O tranquilamente. Amo-O visceralmente. Amo-O para lá do amor. Amo-O faça Ele o que fizer. Amo-O de perto, ao longe, nas sombras ou à luz do dia, esteja Ele onde estiver. Amo-O, incondicionalmente. Amo-O total, completa e absolutamente. Amo-O, portanto. Meu Dono.


Thursday, 31 January 2008

BOFETADA


Quase imperceptíveis, muito ténues, passam quase despercebidas, mas não a mim. Miro-me, remiro-me no espelho, olho-as de todos os ângulos, sob todas as incidências da luz. Orgulho-me delas. As marcas dos dedos do meu Dono, bem desenhados, alinhados na minha cara.

INAUGURAÇÃO



Meu Dono, posso ir mijar? Não. Continuei pois, semi-nua e ajoelhada aos pés do meu Dono, a fazer uma das coisas que mais gosto, venerar-Lhe o sexo num broche interminável. Levanta-te. Teria mudado de ideias, apenas uns segundos depois? Levantei-me como se tivesse uma mola. Ali, no centro do tapete. Devo ter empalidecido. Abre as pernas. Empalideci, de certeza. Mija aí. Mas eu tinha vontade de mijar? Eu, aquela pessoa paralisada no meio da sala? Não assim, não semi-vestida, não em cima do tapete berbere que me custou os olhos da cara...não??? O meu Dono não dá a mínima atenção aos meus pensamentos. Estás a demorar muito... A vaga ideia de estar a contrariar o meu Dono, o risco de O ver sair pela porta sem uma palavra, teria sido isso? A minha condição de escrava. O poder autêntico do meu Dono. Um fiinho, apenas. Isso, mija-te toda, como uma porca que és. Depois um jorro, quente, farto pelas pernas abaixo. Como uma bolsa de água que se rompe. As botas a encher, a transbordar, a mancha a alastrar sobre o tapete colorido. Teria ficado lá imóvel, a arrefecer, mas não. Está inaugurado o escritório. Volta para aqui. Ajoelha-te. Continua a chupar.


Saturday, 26 January 2008

SIAMESE


Acontece naturalmente. Se ao meu Dono apetece o que quer que seja, a mim apetece-me também. Se subitamente deixa de Lhe apetecer, eu imediatamente perco o interesse também. Como siameses ligados por um elo invisível, Ele sente, eu sinto. O meu Dono quer, eu quero. Ainda não fico doente quando o meu Dono fica, mas desconfio que é uma questão de tempo.

Sunday, 20 January 2008

OUT OF MIND


O meu Dono avisou-me antes. Que me ia fazer quebrar. Que não era castigo, que era para Seu próprio prazer.

Os preparativos, como num ritual, fazem adensar as minhas emoções. Pulsos fortemente atados, presa, em bicos de pés, no gancho da parede. O meu Dono gira-me como um pião para me apertar a ball-gag.

É verdade que as agulhas me aterrorizam tanto quanto me fascinam. A dor é suportável, mas há qualquer coisa de avassalador que me toma, quando sinto a pele a ser perfurada, o metal a entrar por um lado, percorrer a carne até encontrar de novo a pele, empurrá-la, e sair por outro. Sinto o poder inexorável do meu Dono sobre mim, sinto a minha submissão levada quase ao extremo, pelo menos ao extremo conhecido.

O meu Dono estica-me o mamilo e espeta-me a primeira agulha na mama. Depois, amarra-me um tornozelo à perna do sofá e outro à roda da estante, para me manter as pernas bem abertas.
Suponho que o meu olhar aterrorizado e os meus gemidos, os sons guturais soprados de boca escancarada pela ball-gag, por entre a baba, não surtam efeito.
Acabaram-se as agulhas de 1 1/2" e o meu Dono começa a espetar-me as grossas que eu, do alto da minha sapiência, achava que me tinha mandado comprar só para me impressionar. Bom, aprendi hoje que há muitas formas de impressionar.
O meu Dono trespassa-me os grandes lábios um a seguir ao outro com uma agulha grossa. Depois, passa um cordel nessa agulha e estica-o até passar por detrás de outra agulha espetada na mama. Pequenas gotas de sangue vão caindo no chão, aos meus pés.

Houve um momento em que ainda estava lá, tive a percepção de tudo, via, ouvia, sentia, mas era como se não tivesse qualquer controlo ou censura sobre o meu próprio corpo. Nem sobre os pensamentos, nem sobre as palavras, nem sequer sobre as reacções fisiológicas. Num estado onde a mente não interfere. Depois houve outro momento, o nada. O meu Dono levou-me lá.

Talvez, pela primeira vez, verdadeiramente, nas Suas mãos.

Thursday, 17 January 2008

AGRADECIMENTOS


Ao meu Dono e Senhor JB e ao Senhor B agradeço a oportunidade que me deram de Os poder servir a noite passada. Espero sinceramente ter estado à altura e ter agradado a ambos.

Ao meu Dono e Senhor JB agradeço de joelhos o privilégio de ser Sua escrava e mesmo sem querer, um a um, tornar os meus sonhos realidade.


Wednesday, 16 January 2008

TER UMA ESCRAVA


Ter uma escrava é diferente de possuir outra coisa qualquer. Uma escrava combina as melhores qualidades de um objecto - não se mexe, não reclama, não faz perguntas - com o melhor de um ser humano - dedicação, capacidade de aprendizagem, vontade de evoluir. Uma escrava muda quando o Dono quer que mude e permanece quando o Dono quer que permaneça. Uma escrava vem a correr quando o Dono chama e sai a correr quando o Dono manda. Sem ses nem mas.

E, se possuir alguém que não quer ser possuído é sinónimo de abuso, despotismo, opressão, possuir uma escrava significa saber aceitar uma dádiva e usufruir dela com prazer, como e quando muito bem entender.

- Tira a roupa. De gatas, cu virado para cá.
De repente, percebi a mensagem que recebera no dia anterior, logo de manhã cedo, que me fez correr da mais apresentável à mais ranhosa sex-shop das redondezas : Compra lubrificante, sem sabor, inodoro, embalagem de 200ml, até € 12,00. Ou a embalagem era pequena, ou o preço alto, ou isto ou aquilo. Procurei não fazer muitas conjecturas, a última vez que tinha pensado que sabia o que ia acontecer ao pepino biológico tinha-me enganado redondamente, por isso limitei-me a cumprir a ordem o melhor e mais depressa que pude, ou seja, larguei tudo e fui às compras. Mas só agora, toda nua, de quatro, cu bem empinado para o meu Dono sentado confortavelmente no sofá, que, pelo ruído, calçava devagar uma luva de latex, fiquei a perceber o destino do gel.
A dor e o prazer andam muitas vezes de mãos dadas. Às vezes é difícil dizer onde acaba uma e começa o outro. Outras vezes isso nem sequer importa.
- Começas a merecer ser minha escrava...

Eu sinto que começo, sim.

Sunday, 13 January 2008


O meu Dono é inflexível. Um mal-entendido, um deslize, uma falha e o meu dia passa num ápice de inesperadamente bom a decididamente mau. Humilhada, escorraçada, atordoada, largada no meio da rua sem perceber se tudo se passou em câmara lenta ou em 78 rotações, é como se tivesse sido despejada noutro planeta sem fato protector. Não compreendo a linguagem destes seres que se cruzam comigo nem eles sabem o que se passa dentro de mim. Tudo à minha volta me arranha e nem num ambiente supostamente confortável eu me sinto eu. Desequilibro-me, desarmonizo-me, decomponho-me. Falta-me tudo quando me falta o meu Dono.

Thursday, 10 January 2008

TEMPO



O tempo com o meu Dono parece-me sempre pouco. Mesmo aquele que ao princípio me parece muito, mesmo o inesperado que me faz largar tudo e correr para Ele em ânsias, acaba sempre por passar depressa demais.
Ou sou eu que não dou por ele, focada que estou exclusivamente no meu Dono, submersa num estado alterado de consciência, transportada para uma dimensão paralela onde os relógios derretem pelos cantos como pinturas de Dali, os minutos encolhem e esticam como bolas de chiclete e um coelho de chapéu alto passa a correr dizendo : é tarde, é tarde.

Wednesday, 9 January 2008

CADELA DO SENHOR JB


A prática de dog-play não é desprovida de senso. Para além de toda a carga simbólica que detem posturas como andar de quatro, comer numa tigela no chão, ser afagada como um animal de estimação e da simbologia fortíssima da coleira, há muito mais por detrás desta inteligente associação.

Na verdade uma escrava tem muito em comum com uma cadela. É fiel ao dono e mantem com ele uma ligação eterna, desinteressada e profundamente submissa. Capaz de sobreviver por si só como espécie e como indivíduo, é no entanto na relação com o dono que encontra a realização suprema. Basta observar a reacção de uma cadela quando o dono se ausenta, mesmo que por períodos curtos de tempo : quando não chora, mantem-se determinada junto à porta por onde sabe que o dono vai entrar e consegue senti-lo muito antes dele chegar, muitas vezes a distâncias impossíveis de percepcionar pelo faro, pela visão ou audição. Há de facto um laço subtil entre cadela e dono que os mantem ligados apesar da distância física.
Mas uma das facetas mais fascinantes da interacção da cadela com o dono é a capacidade de aprendizagem. Uma cadela é capaz de aprender um sem-número de habilidades com o objectivo único de agradar ao dono. Com alguma paciência e treino a cadela é capaz de aprender coisas surpreendentes.

O meu Dono anda a ensinar-me novas habilidades. Ele sabe que eu sou capaz de fazer exactamente aquilo que Ele quer que eu faça. Que sou capaz de melhorar as minhas performances. Que sou capaz de me ultrapassar, de me transcender, ir cada vez mais longe e mais fundo. Só para Lhe dar prazer.

Tuesday, 8 January 2008

DAS ORDENS


Suponho que, para uma escrava, uma ordem tenha o mesmo efeito que tem para uma mulher livre uma caixa de bonbons, uma jóia, um convite para jantar num sítio especial. Uma ordem é como um presente do Dono. É uma forma de atenção, uma demonstração de interesse. Mais do que isso, uma ordem cria uma ligação privilegiada e instantânea entre Dono e escrava.

Ao dar uma ordem, o Dono põe em movimento uma forte energia que envolve a escrava, como se lhe desse corda. Entre o momento em que recebe a ordem e a dá como cumprida, há um instante e a eternidade, há uma explosão de sentimentos, de emoções que vem ao de cima como bolhas de ar em água a ferver.

Uma ordem é uma ferramenta poderosa na mão do Dono, uma forma de excelência de manter a escrava ligada. Pensar que o objectivo de uma ordem é simplesmente ser cumprida, é esvaziá-la do conteudo, é fixar-se na forma. Só quem já sentiu o poder de dar uma ordem ou o sublime prazer de a cumprir pode entender a extensão do que estou a dizer aqui.
A autoridade do meu Dono baseia-se na razão. Quando me dá uma ordem, sabe de antemão que posso cumpri-la. Mesmo que eu não saiba disso. Nem que eu tenha de rabiar e fazer malabarismos.

Quando o meu Dono me dá uma ordem, toda eu estremeço. Sinto piquinhos pelo corpo todo e quanto mais transtorno me der cumprir a ordem, mais excitada eu fico. Quanto mais exigir o meu Dono, quanto mais intransigente for no seu cumprimento integral e eficaz, apesar do grau de dificuldade e quanto mais aparentemente incompreensível a ordem, mais eu me deleito.
É como se, apesar da distância física, eu sentisse a Mão do meu Dono sobre mim o tempo todo, sentisse o Seu poder envolver-me como um redemoinho, a Sua vontade empurrar-me como uma monção.


Sunday, 6 January 2008

SIMPLES


É muito simples. A vontade do meu Dono prevalece sobre a minha vontade. Porque ambos queremos assim.

Ao contrário de uma relação de parasitismo, em que um se alimenta sem consentimento da substância do outro, e ultrapassando a relação simbiótica em que o canibalismo afectivo é uma estrada com dois sentidos, uma relação bdsm permite a cada um viver as suas fantasias de uma forma gratificante, intensa e criativa. A manipulação que é consentida e não imposta , o direito de posse que é conquistado e não extorquido, a autoridade que é assumida e não velada, eis onde reside toda a diferença.

A vida não é isenta de riscos. Mas o próprio formato da relação, são, seguro e consensual elimina à partida a obsessão, o perigo, o abuso. Sem as armadilhas e subterfúgios, obrigações e preocupações de outros tipos de relação, uma relação D/s é um campo aberto para a expressão mais genuína de nós mesmos. Em plena liberdade.


Thursday, 27 December 2007

CORPO DE CORDAS



As marcas das cordas permanecem muito depois do meu Dono sair. Juntamente com as marcas do spanking e o desejo que não deixo escapar pela janela entreaberta. Imersa em água quente até ao pescoço, deixo-me ir até aquele ponto em que quase passo para outro lado qualquer. Tanto faz, desde que não me separe Dele, mesmo quando já saiu há muito.

Sunday, 23 December 2007

SEASON'S GREETINGS

ASHTRAY GIRL


"I hold an image of the ashtray girl
of cigarette burns on my chest
I wrote a poem that described her world
and put our friendship to the test"

Friday, 21 December 2007

SEGREDOS


Cheguei à hora marcada, o que, por si, representa para mim um esforço quase titânico, já que, por muito que eu corra, o tempo parece correr sempre mais depressa do que eu. Mas eu sei muito bem o quanto o meu Dono é inflexível com as horas, por isso uso todos os truques conhecidos para não me atrasar e por vezes invento alguns. Em situações extremas, enquanto faço duas ou três chamadas inadiáveis para manter aquela gente ocupada o resto da tarde e troco o cd - gosto de ouvir certas músicas quando vou ter com o meu Dono, aproveito o semáforo vermelho para compor o cabelo, passar gloss nos lábios - quando consigo encontrá-lo às apalpadelas dentro da carteira a abarrotar de coisas - ou arranjar a meia de liga que entretanto se desprendeu, alheia ao que se passa à minha volta.
Cheguei pois à hora marcada, como sempre sem saber para o que ía.
Entro, ajoelho-me enquanto a porta se fecha atrás de mim. Beijo a mão do meu Dono com devoção. O meu Dono distribui umas festas pelo meu cabelo, o meu lombo, deixa-me estar assim uns minutos em profunda reverência, depois afasta-se e manda-me segui-Lo.
Senta-se a fumar um cigarro, enquanto eu permaneço de gatas, ao Seu lado, quieta e dócil como uma cadela rafeira.
Depois levanta-se e sái por instantes. Não sei o que traz na mão quando volta, mas manda-me levantar e virar de costas. Com um gesto brusco levanta-me a saia, manda-me baixar as cuecas e dobrar-me para a frente. "Hoje vamos passear" - sinto qualquer coisa grossa invadir-me impiedosamente o cu. Dói um pouco, mas é bom. Hurt so good. Depois do plug todo enfiado, o meu Dono passa uma corda fina e dá várias voltas entre as pernas e em torno da cintura, para o manter no sítio. Certifica-se de que está bem preso, manda-me subir as cuecas e compor-me.
Visto o casaco e saio para a rua atrás Dele.

Tuesday, 18 December 2007

JOGO



Quando o jogo transborda para fora do tabuleiro, ganha outra dimensão. Correm-se alguns riscos, é verdade. Troca-se o conforto das quatro linhas pelo mundo todo , troca-se a rigidez das regras pré-definidas pela liberdade de mudar. Medo? Não.
Ao ganhar vida, as peças deixam de ver limitados os seus movimentos, abrem-se possibilidades de novas jogadas, alargam-se horizontes.
Ao conquistar o direito de criar as suas próprias regras e jogar com alguém disposto a aceitá-las, deixa-se o jogo dos outros, abandona-se a previsibilidade e o marasmo . De alvo fixo à espera de ser atingido, a peça viva e pulsante que se move em todas as direcções e estimula a capacidade de inventar novas jogadas, novas estratégias. Não ter que ignorar um movimento, mas antecipar o contra-ataque. Não ter como único objectivo o xeque-mate, mas o eterno prazer de jogar. Num cenário feito por medida.


Friday, 7 December 2007

ENTRE MÃOS


O Dono é Aquele que conforme a situação, sabe segurar a Sua escrava com mão de ferro, com visão estratégica, com as palavras certas. Não há cordas nem correntes que prendam a escrava, se O Dono não souber exactamente como agir em cada momento. Com determinação, firmeza mas também com compreensão e "savoir faire", fazendo-a sentir perfeitamente segura e confiante entre as Suas mãos.

ORDEM


Quando dá uma ordem, o Dono tem a certeza absoluta que vai ser cumprida. Mas não só. Cumprida com rigor, urgência, prazer e devoção.
E como uma ordem é a expressão máxima da vontade do Dono, a escrava sabe que cumpri-la não é um gesto vão, oco e mecânico, mas um acto de amor submisso e profunda reverência.
É por isso que dá tanto gozo à escrava obedecer.

Saturday, 1 December 2007


PENSAMENTOS RECORRENTES

Foto : A.Deljarrie

O meu pensamento regressa invariavelmente às cordas. Ao corpo arroxeado, fortemente comprimido, aos movimentos restringidos, à vulnerabilidade. Aos nós, às voltas sucessivas, aos laços. Volta lá sempre. Como a criança incapaz de retirar a mão do pote das guloseimas. Como um viciado que não consegue largar uma droga. Como um criminoso que volta sempre ao local do crime.



Thursday, 29 November 2007

A IMPORTÂNCIA DO RITO




Photo Denis Olivier


As palavras confundem-se um pouco e detenho-me a percebe-las. Só porque me interessa definir para mim mesma o que sinto com exactidão, sem o deixar flutuar ao sabor de imprecisões.

Pormenores, talvez. Mas as grandes diferenças residem precisamente aí, intrincadas nos detalhes que passam despercebidos ao comum dos mortais. É pelos pormenores que um expert conhece a diferença entre a coisa verdadeira e a imitação.

Parece nenhuma ou subtil, mas é de facto enorme a diferença entre ritual e rito.

O ritual é colectivo, estereotipado, impessoal, automático e mecânico, sendo por isso pobre em termos de criatividade e sentimentos. O seu sentido inicial foi-se perdendo no tempo e pouco mais é do que a repetição de gestos vãos.

O rito, pelo contrário, tem uma raiz fortemente individual, nascida no âmago do nós. O rito enriquece, engrandece, alarga. Abre caminho. Prepara o corpo e acalma a mente para desfrutar em plenitude o que vem a seguir.

Por isso, num rito arrancado do fundo de mim, a primeira coisa que faço na presença do meu Dono é lançar-me aos Seus pés.

Não é um gesto vazio, nem meramente simbólico, nem uma cópia de gestos de outros, é o resultado de uma força interior que me impele naturalmente para baixo, inspirada pelo poder do meu Dono. Sou eu inteira num gesto. Condensada num instante carregado de significado, que saboreio a conta-gotas.

Este é para mim, O momento. É aqui que eu na verdade me entrego, me ponho à Sua disposição.

Na natural continuação deste, vem o seu complemento. O momento em que me toma. O momento em que docilmente ofereço o pescoço à coleira para simbolizar a posse total do meu Dono sobre mim.

Este gesto une-me irremediavelmente ao meu Dono, retira-me o que sobra de individualidade e de independência. Circunscreve-me à Sua órbita.

Depois, intuitivamente encontro outros gestos, outras formas de celebração do Seu domínio sobre mim. Ao que se somam marcas pessoais do meu Dono, ex-líbris da sua essência única, abundantes, fecundas.

Abraço-as, interiorizo-as, torno-as minhas. Depois ofereço-as, num culto intímo e cúmplice ao meu Dono, já a abarrotar de mim.