Friday, 28 September 2007

COMPASSO DE ESPERA


Os dias passam devagar sem a presença do Dono. Tento iludir o tempo sabendo que ele não se deixa iludir. A mulher sente-se solidária e guarda profundo respeito. Mas a submissa não recebeu ordem para parar. A escrava anseia pela Mão que a dobra, a tritura, a subjuga. Que a agarra com firmeza pelos cabelos e a faz lamber o chão que o Dono pisou. Que a prende, a amarra, a pendura no ar como uma estranha espécie de pássaro.

Monday, 24 September 2007

NÓS, OS INFINITOS




Hoje não durmo. Não posso, nem quero. Há na minha cabeça um imenso corredor que me leva ao ponto exacto onde começa e acaba a minha fantasia. Deixo-me percorre- lo nas pontas dos pés, devagar, momentâneamente sozinha, simultâneamente agarrada a Si como coisa que está por baixo da pele, estranhamente inteira, eternamente indivisível. Ainda atordoada. Ainda suspensa.

Sunday, 23 September 2007

BDSM CRUELTY-FREE

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Saturday, 22 September 2007

EXCEPTO ORDEM EM CONTRÁRIO





Este blog existe com uma finalidade bem definida : agradar ao meu Dono.

Durante bastante tempo esteve parado, porque pensei que não se interessasse e abandonei a ideia.

Durante muito tempo não o divulguei porque pensei-o como mais um espaço de intimidade. Com o consentimento do meu Dono, comecei com uma pessoa da minha confiança, depois outra, pessoas que eu sabia iam compreender o que escrevo, mas sei que a partir de uma certa altura deixa de estar na minha mão seleccionar a entrada. É de certa forma abrir a porta da nossa intimidade e convidar a espreitar quem quer que passe.

Saber que há eventualmente outras pessoas a ler o blog não me desvia um milímetro do meu objectivo principal e não afecta de forma alguma aquilo que escrevo. Se o que se passa cá dentro for interessante, as pessoas vão voltar. Se não for, irão naturalmente embora.

Mas eu fico, e o meu Dono também.

Tudo o que aqui se lê faz parte de mim. Por isso, sou natural e espontânea naquilo que escrevo, simples, humana. Não tenho pretensões literárias nem demasiadas preocupações estéticas, embora queira oferecer ao meu Dono o que de melhor haja em mim em cada momento. Às vezes de uma forma mais leve e divertida, outras de forma pungente e quase dolorosa, sou eu em oferenda ao meu Dono em cada palavra, cada linha, cada pensamento que lhes está subjacente. Realidade ou ficção, nunca é mentira. Podia - e faço-o - escrever-Lhe em privado, mas esta é uma das poucas formas que tenho de mostrar ao mundo o quanto Lhe pertenço, o quanto O venero, o quanto sou incondicionalmente Sua.

Embora por vezes seja difícil, resisto à tentação de escrever sobre outros temas, este blog é - como alguém que em poucas palavras já me revelou uma sensibilidade apurada e rara perspicácia muito bem definiu - sobre " a relação que mantém com JB, o seu Dono e Senhor " .

Qualquer breve alusão a outro tema, se a houver, será de forma enquadrada nesta premissa, e tratada neste contexto. Excepto ordem em contrário...



Friday, 21 September 2007

MEA CULPA


Apesar de todos os meus esforços para agradar o meu Dono, servi-Lo e satisfaze-Lo de todas as formas possíveis, sem olhar a meios, sem questionar ordens, da melhor maneira que sei, há alturas em que não consigo atingir o objectivo.

De súbito sinto-me numa situação que não entendo e não desejo.

É como se desse voltas e mais voltas para evitar cair num buraco e de repente, sem perceber como e sem poder evitar, desse comigo lá dentro.

Sejam quais forem as razões do meu fracasso, nesses momentos o meu mundo desaba.
E sob o peso das ruínas, eu tento perceber o que fiz ou o que não fiz, como uma criança atordoada que sabe foi merecidamente castigada mas sem entender muito bem porquê.
Suicídio involuntário. Em que ponto exacto falhei ?

Do que resta de mim, apanho um a um os pedaços e recomeço a erguer, incansável, a escrava que quero ser.
A que tem a forma do meu Dono.
Perdoe-me, Senhor, pela minha incompetência.

Wednesday, 19 September 2007

MARCAS


HAVE FUN


BDSM para mim é um assunto sério. Envolve um enorme respeito, uma profunda veneração, um orgulho desmedido e uma atitude de permanente reverência pelo meu Dono.

Ser escrava do Senhor JB ocupa uma parte significativa do meu tempo, a maior parte dos meus pensamentos, toda a superfície do meu corpo e a imensidão da minha alma.

Ser escrava do Senhor JB satisfaz as minhas necessidades, dá corpo aos meus desejos, realiza os meus sonhos. Aviva a minha feminilidade, desperta os meus instintos de fêmea. Faz-me sentir mulher.

No entanto, sendo sério, não tem que ser grave, sisudo, cinzento e maçudo. Seriedade não exclui sentido de humor, bem pelo contrário, refina-o.

O bdsm, como a vida, pode ser altamente divertido, animado, inspirador.

Para quem não o viva como uma patologia, uma fatalidade, uma versão grosseira de hedonismo, uma forma de compensar alguma lacuna ou sublimar alguma frustração, ou como uma falta desesperada de alternativas, o bdsm pode ser, de facto, uma aventura tão divertida, fascinante e ilimitada quanto a própria vida.



Friday, 14 September 2007

DON'T SAY A PRAYER FOR ME NOW...













SAVE IT TILL THE MORNING AFTER...

A ESCALADA









"Traz-me as cordas."
Recuei, descalça, até à porta da sala, depois voltei-me e corri ao quarto a buscá-las.
Não esperava o meu Dono hoje. Tinha-me ligado de manhã, demorou algum tempo ao telefone e sei o quanto tem andado ocupado, o quanto o momento é difícil. Deixei-me ficar numa zona de conforto, quieta para não atrapalhar, quieta porque o momento não é fácil e eu sei disso tudo. Moderada. "Pensas que és o quê? Minha amiguinha?"
À mistura com outras coisas, e Ele sabe disso tão bem como se me lesse os pensamentos antes de eu sequer os pensar.
Voltei com as cordas e a coleira na mão e ajoelhei-me aos Seus pés. O meu Dono agarrou a primeira corda com ambas as mãos e esticou-a, fazendo-a deslizar entre os dedos cerrados. Atou-me com firmeza, os braços ao longo do corpo, em voltas paralelas acima e abaixo do peito. Comecei imediatamente a sentir a energia das cordas, o calor que se desprende delas como de nenhumas outras. Com a segunda corda, o meu Dono uniu na frente a anterior, e passou uma laçada à volta dos ombros até às costas, obrigando as mamas a levantar e projectar-se para a frente como se quisessem separar-se de mim. Levantou-me o antebraço, única parte solta dos braços, já que toda a zona entre os ombros e os cotovelos estava completamente imobilizada junto ao corpo, até ficar em ângulo recto. Com o resto da corda amarrou-me os pulsos, à largura do corpo. Sinto mais forte a constrição das cordas. Tem em mim o efeito narcótico de uma droga, sinto-me entorpecer em cada volta, sinto-me quebrar em cada nó.
O meu Dono arrancou-me do meu estado de letargia : "Agora sim, quero a cerveja".
Acho que já tenho alguma prática de fazer coisas amarrada, embora por vezes seja preciso uma pequena dose de contorcionismo, mas nada demais.
Voltei tão rápido quanto pude e entreguei a garrafa gelada ao meu Dono.
"De joelhos" .
Sorrio, não acredito, só nesse momento precebo que a cana fininha que tinha deixado num canto da sala, para mais tarde fazer uma gag toda hi-tech, não escapou ao olhar atento do meu Dono...
"Traz molas" - Volto a levantar-me e, como posso, trago do armário duas molas tipo alicate, que o meu Dono em tempos uniu uma à outra por um fio.
Ajoelho-me de novo em frente ao meu Dono e ofereço-Lhe as molas que me prega com força nos mamilos.
"Vai buscar a ball-gag"- o meu Dono faz-me levantar de novo, meio desengonçada e fazer mais uns quantos malabarismos para chegar à ball-gag dentro do armário.
A bola dentro da boca separa-me violentamente os maxilares, mas não tenho muito tempo para pensar no desconforto que me causa.
O meu Dono sobe o volume do som. A Beth Gibbons espalha a voz doce pela sala , nobody loves me, it's true..., agora um pouco mais alto.
Nunca antes tinha apanhado de cana. Os golpes são certeiros, precisos, concentrados. A dor é lancinante. Sobretudo quando a cana bate sistematicamente no mesmo ponto, sem intervalos para a dor se espalhar, se dissolver, e o corpo se preparar para o próximo golpe.
Deve ser por volta desta altura que deixo de me preocupar se a barriga está encolhida, se se vê a celulite ou se pareço assim tão feia vista de fora.
O meu Dono acompanha cada bordoada da respectiva explicação. Como um filme legendado, para eu perceber melhor. Não se trata de simples capricho ou de puro sadismo, embora pudesse ser, claro. Há uma razão para o meu Dono arrear em mim com os dentes cerrados e um esgar de fúria. "Tu, ou és minha escrava, ou não és. Não penses que vais deixando de ser". Estremeço de dor e vergonha. Gotas de suor escorrem-me pelas costas.
" Tens noção que a praia acabou para ti, este ano..." - Logo agora que descobri aquele areal a perder de vista, aquele mar que nem parece do norte...Paciência.
O meu Dono não mostra sinais de misericórdia. Os golpes são cada vez mais fortes.
As lágrimas saltam-me dos olhos, em jorros. De vez em quando a dor é quase insuportável e eu deixo-me cair sem forças sobre os pés. Nessas alturas, o meu Dono bate repetidamente com a cana nas molas que me trituram os mamilos e eu volto imediatamente à minha posição ajoelhada, costas direitas, de perfil para Ele.
O meu Dono aumenta a frequência e a intensidade dos golpes. Encolho-me de cada vez que sinto o braço ir atrás ganhar lanço para se abater sobre as minhas nádegas massacradas. Se me mexo muito, o meu Dono bate-me na planta dos pés, impiedosamente.
A dor atinge proporções quase intoleráveis. Eu choro, compulsivamente. "Queres diz er a safe-word?" Olho o meu Dono nos olhos, a soluçar. "Estás a suplicar que pare?". Abanei a cabeça em todas as direcções. Não devo ter sido muito clara.
A cana vai-se fazendo em pedaços. Poderia parecer que isso aligeira a dor, mas não. As pontas soltas e desencontradas actuam como as pontas de um estranho chicote e atingem para lá da zona de impacto, contornam as nádegas e rasgam a pele da coxa como instrumentos cortantes.
O meu Dono dá-me para a mão uma bola colorida. "Deixas cair a bola e é como se dissesses a safe-word". Agarrei com força a bola entre as mãos. Suspeitei que ia doer.
Lágrimas, suor, ranho, baba que me escorre em quantidades inusitadas pelo queixo, um cocktail de secreções que o meu corpo expele como uma purga. Cravo as unhas na bola. E vou-me sentindo limpa, purificada.
O meu Dono tira-me a ball-gag e começa a desatar-me as cordas. "Não, por favor, não tire!" Eu choro. O meu Dono ri-se. Agarra os meus cabelos e leva-me a cara ao chão. Depois, levanta-me bruscamente e, sem deixar de repuxar os cabelos, desata as cordas com a outra mão.
Já não me sinto estranha, nem absurda, nem ridícula. Já não me sinto uma aberração.
Sinto-me como se tivesse escalado o Evereste. Sento-me no topo, a contemplar a paisagem à volta.


cadela de JB


O meu Dono conhece todos os cantos de mim.

Conhece o meu corpo, centímetro a centímetro. Todas as imperfeições, as curvas e contracurvas, reentrâncias e saliências, os ritmos, as cadências, todos os altos e baixos.

Conhece o meu passado, o meu presente e o meu futuro.

Mas sobretudo, conhece a minha mente, sabe exactamente como funciona a minha cabeça.

Sabe o que vou pensar e quando. Observa-me com o rigor do método científico. Ou a descontracção de quem se senta sózinho numa esplanada ao final da tarde só para ver o mar. Ou a curiosidade de um miúdo que espreita com espanto o fundo de um caleidoscópio.

Diverte-se a ver-me contorcer e quase a asfixiar sob o peso da dúvida, quase perdida no labirinto do meu pensamento.

Quando penso que está distraido, ausente ou até desinteressado, o meu Dono surpreende-me sempre com uma dose inesperada de atenção, presença e interesse. Ou então ignora-me e fica a ver-me espernear.

Sabe que eu vou escrever o próximo post. Aposto até, que palavra por palavra. Sabe que não resisto, sabe que quase rebento de orgulho, sabe que derreto de vaidade. Sabe que é superior a mim esconder o quanto sou Dele.

Sabe isto tudo, só talvez não saiba porquê. Ainda.


Wednesday, 12 September 2007

BDSM EM ESTADO LÍQUIDO






Uma boa submissa, como um bom Dominador são como um bom vinho.

Para além do potencial que lhe é próprio, precisa do tempo e das condições ideais de conservação e maturação para poder resultar no melhor de si.

É no equilíbrio entre os vários elementos que reside a qualidade do néctar, tal como é o equilíbrio entre Dominador e submissa que determina a qualidade da relação.

Mas de que serve oferecer um bom vinho a quem não o sabe apreciar?

Que adianta ser uma boa submissa se não houver a quem se submeter, a quem se entregar de corpo e alma, que saiba receber e apreciar a entrega ?

E de que serve sentir-se Dominador se não encontrar o objecto da Sua dominação, se não puder expressar o Seu poder sobre alguém que não se submete por medo, mas pelo infinito prazer de ver desdobrar-se e multiplicar-se diante de si uma imensa variedade de cores, aromas, e sabores ?

Rubi com laivos acastanhados ou cor púrpura. Aroma elegante a fruta madura ou um toque de especiarias. Envolvente e arredondado na boca ou frutado e macio. Tantas são as possibilidades!

Porém, da mesma forma que o fim de boca é um importante indicador da qualidade do vinho, que faz a diferença entre um vinho vulgar e um bom vinho, também entre Dominador e submissa é fundamental que as sensações se prolonguem no tempo para lá do momento da prova.

Final suave ou intenso e persistente. A escolha...é Sua.

Wednesday, 5 September 2007

O que é submissão ?

" Não é mera obediência externa, nem tão pouco quando controlado.

Submissão é prestar obediência inteligente a uma autoridade delegada.

É exteriorizar um espírito submisso, mesmo quando ninguém está por perto.

É renunciar à opinião própria quando se opõe à orientação daqueles que exercem autoridade sobre nós.

Ser submisso não aniquila, nem castra a personalidade de ninguém. Pelo contrário, realça a vida de qualquer um. "


Monday, 3 September 2007

(DO IT WITH) PRIDE


O meu Dono chegou como sempre, imprevisível. Só tive tempo de pagar à pressa as compras na Fnac e voltar para casa a correr.
Subimos juntos e logo que passo a porta livro-me rapidamente da roupa.

Servi-Lhe um whisky com gelo e aninhei-me no chão aos Seus pés, como o costume. Pouco depois manda-me jantar, nua, no chão à Sua frente, enquanto com o meu portátil no colo, percorre as minhas pastas como muito bem entende.

Eu sou Dele e comigo tudo que é meu. Tira mistérios e fantasias das minhas gavetas como um mágico tira lenços coloridos de uma cartola.

Algum tempo depois mandou-me experimentar dois ou três vestidos. Escolheu um de veludo negro, de alcinhas, um pouco acima do joelho : " - Este. E calça-te, arranja-te, vamos sair." Opto por uma sandálias de tirinhas pretas, a noite está quente.

"E passa-me uma camisa" . Montei rápidamente a tábua de passar. O meu Dono aproximou-se por trás de mim e subiu-me o vestido até à cintura. Enquanto tentava passar-Lhe a camisa, o meu Dono penetrou-me violentamente. Passar uma camisa a ferro enquanto se é fodida não é tarefa fácil.
" Quieta, puta, não estás a foder, estás a passar-me a camisa. ".
Quando finalmente acabei, trémula e a escorrer, acabei de vestir o meu Dono, baixei o vestido, calcei-me e saimos. Óbviamente nua por baixo do vestido. Na bolsa, a coleira de escrava.
O meu Dono quis comer alguma coisa antes, eu sigo-O pela rua como uma cadelinha, do Seu lado esquerdo, sempre um passo atrás. Ele pára, eu paro. Ele anda, eu ando. Corro abrir-Lhe as portas, do carro, do restaurante e sigo atrás Dele, onde quer que vá.

" Vamos lá ao tal bar. " Paramos o carro num lugar bastante estreito, tive alguma dificuldade em sair mas acabei por conseguir.

Entrei no Pride atrás do meu Dono, olhos baixos. Já lá dentro, o meu Dono colocou-me a coleira. Este gesto, tantas vezes repetido, é sempre um momento de grande intensidade, de sentido ritual. Com ou sem coleira sou sempre Dele, mas ostentar com orgulho, para mais num sítio público, o símbolo máximo da Sua posse, faz-me quase levantar do chão. Afasto o cabelo com a mão, estendo o pescoço, em estado de profunda submissão.

Vou buscar uma bebida para o meu Dono, o barman sorri-me, cúmplice. Por todo o lado há homens abraçados, aos beijos, mulheres acariciando outras mulheres, travestis. Acendo-Lhe o cigarro.
Sento-me num puff, um pouco mais baixo que o sítio onde o meu Dono, sentado, espera pela bebida.

"Abre as pernas. Uma mão sobre cada joelho. " Assumi de imediato a posição, mas o meu Dono enfiou o joelho entre as minhas pernas e abriu-mas ainda mais.

Ficamos ainda um pouco, até o meu Dono decidir ir embora. Segui atrás Dele para a rua, sem me tirar a coleira.

- Não sei se vou conseguir entrar...- Espremi-me contra o vidro - "Levanta a saia". Eu levantei. "Mais" . Arregacei o vestido até ficar com o rabo completamente à vista e deslizei esborrachando-o contra o vidro até cair no assento, enquanto alguns carros passavam na rua rente a nós. Puxei o carro atrás para o meu Dono entrar e arrancamos.

O meu Dono abriu o fecho das calças o tirou-O para fora, já duro. Tirei a mão direita do volante, agarrei Nele e comecei a acariciá-Lo.

"Chupa" - O meu Dono segurava no volante enquanto me inclinei sobre o Seu colo e o meti na boca. Devo instintivamente ter levantado um pouco o pé do acelerador porque o meu Dono reclamou e mandou-me acelerar. Acelerei e continuei a lamber, enquanto o meu Dono mantinha o controlo do volante.

Esta noite, o meu Dono deixou-me dormir na cama, ao Seu lado, para me poder usar. Lambi-O até sentir que tinha adormecido, apaguei a luz e cheguei-me para baixo, para o meu lugar junto ao Seu sexo.

Obrigada, meu Dono, por levar a Sua cadela à rua.


Saturday, 1 September 2007

SEDE DE SI


- Está curto agora, meu Dono, não dá, escorrega – dizia eu.
- Pois, não dá... – concordou o meu Dono, com ar complacente – É pena...
Agarrou-me subitamente pelos cabelos e repuxou-mos com força no alto da cabeça.
- É. Não dá...
Agarrou na corda virgem e enrolou-a com destreza numa série de voltas apertadas em torno da mecha de cabelos que mantinha firmemente esticados entre os Seus dedos.
- É uma pena...
Os repelões fortes faziam-me humedecer e cerrar os olhos. A minha cabeça num vai-vem desgovernado ao sabor dos puxões impiedosos do meu Dono.
- Escorrega, não é? Escorrega...
A corda mantinha os cabelos num puxo comprido e bem esticado, um rolo perfeito no cimo da nuca.
O meu Dono puxou-me pelas duas compridas pontas que deixara soltas e arrastando-me com a cabeça de lado até junto do sofá, fez-me ajoelhar aos Seus pés.
- Vês, escrava ? Não dá mesmo! – no mesmo tom sarcástico – enquanto me puxava pelas cordas a cabeça em todas as direcções.
Baixei os olhos, envergonhada.
Com a segunda corda, o meu Dono ata-me agora as duas mamas em voltas perfeitas, projectando-as para a frente, cheias e comprimidas.
O que sobra da corda desce-me pelo tronco e passa-me entre as pernas, bem retesada, comprimindo o clitóris e afundando-se entre as nádegas, subindo novamente bem esticada pelas costas até prender junto ao pescoço.
Cada movimento da cabeça, por mais subtil que seja, faz a corda de baixo esmagar o clitóris, cada vez mais saliente, arranha a pele sensível do sexo entre os grandes lábios entumescidos, e esfola-me toda a zona em volta do olho do cu.
O meu Dono ergue-me pelas pontas da corda e prende-as no gancho da parede, obrigando-me a permanecer nas pontas dos pés.
Consigo olhar a corda negra retinta que envolve as mamas. Fica linda, em voltas perfeitas sobre a pele morena.
Sinto o calor das cordas abrasar-me o corpo. Sinto toda a energia das cordas que quase me queima. Sinto a sua história que faz agora parte de mim. Sinto os meus fluídos a encharcar a corda como um mata-borrão.
Sinto a cor dos nós, sinto a cor de nós.
Sinto a sede anunciada a secar-me a boca, como o recuo da onda sobre a areia quando a maré baixa.
O meu Dono, confortavelmente sentado no sofá, agita levemente o copo de whisky, fazendo tilintar as pedras de gelo, enquanto eu me equilibro nas pontas dos pés, como a prima ballerina duma dança surreal, pendurada de um gancho na parede a dois metros Dele.
Sinto a boca como a superfície seca e gretada dum solo árido depois da seca prolongada.
“ - Vejo sede. Sentiste sede? ”
Sinto sede.
Sede de água, sede da verdade, sede do meu Dono, sede da Sua mão pesada a desabar sobre o meu corpo.
Uma sede imensa e profunda, insaciável de Si.



As marcas que o meu Dono deixa em mim vão muito para além dos sulcos na carne, do corpo dorido, da ardência da pele, da febre do sangue que me borbulha nas veias quando estou na Sua presença.

Num relance, encontrou o caminho para a minha alma submissa e foi lá bem fundo que cravou os ferros compridos que me atormentam, que prendeu as pesadas correntes que me agrilhoam, as sólidas amarras que me prendem a Si.

Todos os dias inventa novas formas de me subjugar, só pelo gozo de me apanhar desprevenida, de brincar comigo como um predador com a sua presa, antes de desferir o golpe final.

Em cada momento refina a arte de me dominar, só pelo prazer de me fazer ceder, de me ver dobrar.

A cada instante me destrói e me reconstrói, me apaga e me desenha de novo, me molda nas formas que de mim quer ter.

E eu cedo, eu dobro, evaporo-me, desfaço-me, renasço das minhas próprias cinzas só pela eternidade que encerra numa fracção de segundo aos Seus pés, o derradeiro prazer de O servir.



Wednesday, 29 August 2007


Escolher a via da submissão nem sempre é fácil.
É um caminho íngreme, que precisa ser atentamente vigiado e cuidado a cada momento para manter livre de ervas daninhas, de ideias indesejáveis, de pensamentos distorcidos, de armadilhas da mente.
Eu sou o brinquedo do meu Dono. Um joquete nas Suas mãos, que Ele usa quando e como muito bem entende.
Quando não me quer, arruma-me na prateleira, longe da vista, ou deixa-me espalhada pela sala em pedaços.
É a Sua vontade, e eu não posso perder nunca de vista o objectivo primeiro da aceitação total.
A vontade do meu Dono é a minha vontade - repito-o vezes sem conta até se colar a mim como uma segunda pele.
E consciente do meu lugar, sinto-me feliz e agradecida por poder servi-Lo.

Tuesday, 28 August 2007

SUA



Ofereço-me a Si como um fruto doce e sumarento, para que me sorva demoradamente, enquanto lhe escorro pelo queixo em grossas gotas açucaradas.
Repouso pousada na palma da Sua mão, adoro-O aninhada num pedaço de chão
Existo em camadas, em molhos, em maços, em folhos, pedaços, sou fina e espessa, criança travessa,
Sou esta e aquela, sou grito, sou dor, toda eu sou cor
Sou risos, sou choros, sou contradições,sou mundos perdidos,feita de emoções
Sou água, sou fogo, todas as verdades
Sou buraco negro por onde se escoam as Suas vontades,
Por Si serei tudo, vestida a rigor ou descalça e nua, perdida de amor, sou puta, sou SUA.

Saturday, 18 August 2007

(EU TAMBÉM) ACREDITO

" ACREDITO QUE DAS NUVENS TE PUXAREI POR CORDAS"




Friday, 17 August 2007

BRUTAL PASSION


-Vai buscar-me aquilo.
Estiquei-me nas pontas dos pés descalços e alcancei uma taça larga de vidro grosso, no cimo da estante.
-Aí, no chão - o meu Dono apontou um ponto da sala em frente ao sofá onde estava sentado - Agora agacha-te. Mija.
De pernas abertas, acocorada sobre a taça, primeiro em jactos transparentes e desordenados que depois se canalizaram num só jorro mais abundante e preciso, mijei para dentro do vaso. O som do líquido contra o vidro da taça tomou aos meus ouvidos proporções desmesuradas.
- Gosto de ver cadelas a mijar - O meu Dono pareceu-me satisfeito.
- Podes ir limpar-te.
De volta à sala, segundos mais tarde, o meu Dono agarrou-me súbitamente e atirou-me para o chão. - Vou dar-te razões para não esqueceres o Dono durante as férias - como se fosse preciso...
De pernas escancaradas, exposta, esperava sem compreender.
Cigarro numa mão, com a outra o meu Dono agarrou-me brutalmente a púbis.
Apertou, torceu, beliscou, repuxou.
O Seu olhar transfigurava-se.
Sem dó nem piedade, arranhou-me, esticou-me os lábios, trilhou-me o clitóris entre os dedos.
Eu contorcia-me de dor e tentava conter os gritos que me saíam distorcidos e guturais.
- És uma fraca, olha para ti!...Incompetente!
Eu tinha escorregado e esmagava-me agora contra um canto da parede como se quisesse atravessá-la. Mas não tinha mais para onde recuar.
O meu Dono aproximou o cigarro, devagar. Senti o calor aumentar até ficar quase insuportável. Debati-me um pouco, mas o meu Dono prendeu-me os braços com a mão e manteve as minhas pernas abertas entaladas entre as Suas próprias pernas.
Vi um fio de fumo a sair. Cheirou-me a pele queimada. As lágrimas escorriam-me descontroladas.
- Fraca...Não prestas para nada.
O meu Dono levantou-se, mandou-me segui-Lo.
Pus-me de pé como pude. A minha rata estava dorida, inchada, massacrada. Sentia-a latejar.
- Agora vais-me satisfazer - o meu Dono deixou-se cair nu sobre a cama - Depois, vais dormir para o chão, não mereces dormir com o Dono na cama.
Dediquei-me inteiramente a dar prazer ao meu Dono até sentir-Lhe a respiração funda de quem resvala para o sono.
Depois, como uma cadela zelosa, deitei-me no chão ao lado da cama, e com o cansaço a vencer a dor e o desconforto, nem dei conta de adormecer.
Quando o dia começou a entrar pela janela aberta, senti o meu Dono inclinar-se sobre mim.
- O Dono quer-te na cama, agora.
Feliz por poder estar junto ao meu Dono, saltei para junto Dele como se tivesse uma mola.
- Não disseste a safe-word...
Sorri.

Sunday, 12 August 2007

PROVA DOS NOVE




Nove meses...

de gestação

de dedicação

de entrega

de viagem interior

de descobertas

de cumplicidades

de excessos

E ainda nem sequer começamos...


De joelhos Lhe agradeço, meu Dono e Senhor, por tudo o que me faz Sentir.

EM BUSCA DO CÓDIGO SIGMA


O número 9 é o princípio da Luz Divina, Criadora, que ilumina todo pensamento, todo desejo e toda obra, exprime externamente a Obra de Deus que mora em cada homem, para descansar depois de concluir sua Obra. O homem novenário que pelo triplo do ternário, é a união do absoluto com o relativo, do abstrato com o concreto. O número nove, no simbolismo maçônico, desempenha um papel variado e importante com significados aplicados na sua forma ritualística.

O número 9, é o número dos Iniciados e dos Profetas.

Nove são os planetas conhecidos (ainda não há consenso entre os astrofísicos sobre os recentemente descobertos Ceres, Caronte e Xena)

Nove é o número da conclusão terrestre e espiritual. Nove é o triplo de três.

O número 9 exerce poderosa influência sobre os outros números (todo número somado a nove resulta no próprio número, por exemplo, 5+9=14, 1+4=5

O resultado de todos os cálculos multiplicados por nove podem ser reduzidos numerologicamente ao número nove. Por exemplo 5 x 9 = 45, ou seja, 4 + 5 = 9

O número nove tem algumas propriedades misteriosas. Está escondido na data de nascimento de todas as pessoas.

Tomemos como exemplo 21/05/1968.
Se escrevermos o número seguido (ignorando o mês), teremos 211968.
Se trocarmos a ordem dos algarismos, teremos por exemplo, 681912
Se subtrairmos o menor ao maior, 681912-211968, chegaremos ao número 469944.
Se somarmos todos os algarismos que compõe o número, 4+6+9+9+4+4, obteremos o número 36.
Se somarmos agora os dois algarismos 3+6, obtemos....
9

"O Número 9 - em busca do código Sigma" apresenta como certo que na divisão inteira por 9, de qualquer número primo elevado à 6ª potência, o resto é sempre a unidade.

" O número nove na Tradição Nórdica encerra todos os mistérios da origem do mundo na perspectiva dos povos germanos e escandinavos, como se poderá perceber ao longo da caminhada pelos nove mundos da Yggdrasil. Odin vagueou por entre os reinos que compõem a diversidade espiritual de uma tradição que sentiu e viveu o nove como o número Mãe ou a Matriz de toda a criação. No Futhark descobrimos esta simbologia na Runa Hagalaz, a primeira do segundo dos três Aettir (família) de sigilos, no percurso que assinala o “regresso” ao nosso passado como entidade espiritual (Orlog/Karma), constituindo também uma excelente oportunidade para elaborarmos a biografia da actual existência. No final da jornada, tomaremos contacto com o domínio das Nornas (Três Irmãs do Destino-wydr),
assumindo parte da construção da nossa teia da vida.

O caminho de Hel é percorrido em nove noites – é o lado escuro da própria Yggdrasill onde se efectiva a iniciação de Odin–, sendo marcado por diversos obstáculos, encerra os segredos da existência e é onde as runas estão ocultas. Trata-se
do espaço onde dorme o conhecimento da transformação.

O Nove representa, neste caso, o ponto inicial da gestação do processo evolutivo dos que estão dispostos a largar a matéria entorpecente e da consciência racional. O Homem torna-se independente das forças externas e a demanda da divindade que habita no seu interior.

O número Nove, de acordo com a Tradição do Norte, potencia o processo dinâmico da evolução e nos oferece pistas para a perfeição, para o sentido do Todo. Mas antes de qualquer avanço, ficamos presos no cristal de Hagalaz, numa hibernação necessária à prospecção
do que realmente somos e para onde queremos ir.
As Nornas seguram as rédeas, mas
somos nós que conduzimos o veículo da nossa vida. "


Saturday, 11 August 2007

Liaisons



Estou ligada ao meu Dono por um cordão invisível.

Imóvel na extremidade da corda, eu aguardo.

Ele puxa, eu vou.

Ele solta, eu fico.


Thursday, 9 August 2007

O olhar do meu Dono


O olhar do meu Dono...

.........comanda................................................................................
................adivinha..........................................................................
......penetra.....................................................................................
rasga..............................................................................................
....................................................dirige..........................................
...........guia.....................................................................................
......................................queima....................................................
....invade........................................................................................
..................................................................castiga.........................
.................................................................................trespassa.....
.....conquista.................................................................................
....................................................esmaga.....................................
.....................................................................................possui. .....
.........................................................................................desfruta.

e
quando me entra como um raio pelo meu adentro, toca-me a alma submissa e eu rendo-me a
Ele...

Wednesday, 8 August 2007

A peça que faltava


Uma escrava só vive em pleno a sua submissão quando encontra O Dono.


Tal como uma peça de um puzzle que por muito que se tente, só encaixa no sítio certo, também a escrava tem que encontrar o Dono certo para se poder sentir completa.


E se há quem encontre à primeira, há também quem tente encaixar-se em sítios onde não cabe, ou cujos contornos não coincidem com os seus. À primeira vista até parece ser aquele, mas assim que se encosta de um lado, percebe-se que o outro não se ajusta. E não adianta tentar encolher-se, moldar-se, adaptar-se, nunca aquela peça será a peça que faltava.


Porém, quando a peça desliza para o espaço vazio inequívoca como uma água que corre para o mar, quando todos os lados se alinham, se ajustam e se completam para formar o desenho final, não há margem para dúvida.


É O DONO.


E quando isso se reconhece no primeiro olhar superior, na primeira palavra autoritária, no primeiro silêncio castigador, no primeiro gesto brusco, na primeira sova, no primeiro insulto, a submissão transborda como líquido em efervescência, emana calor como raios de um sol verde.




Dono de mim toda inteira


Quando o meu Dono chega, o mundo pára.

Fecham-se as comportas, erguem-se quatro paredes sólidas e eu atinjo o ponto mais alto de ser Dele.

Dono do espaço e do tempo, Dono de mim toda inteira, o meu Dono toma finalmente posse daquilo que é Seu.

Vira-me, revira-me, espreme-me, abana-me. Ata-me. Torce-me. Experimenta-me.

Experimenta-se em mim. Desfaz-me.

Sou o Seu brinquedo, o Seu objecto, a Sua puta.

E quando me deixa, ainda atordoada de felicidade, julgo ouvir ao longe, por entre os passos que se afastam : gosto de ti, cadela vadia.




A escrava deve ser para o seu Dono

Shibari por Akechi Denki Sensei


Transparente como cristal,

Fresca como uma brisa numa tarde de verão,

Colorida e quente como uma especiaria,

Misteriosa e encantadora como a lua cheia,

Leve e macia como algodão,

Luminosa e rara como uma estrela cadente,

Suave e preciosa como a seda,

Frágil como uma bola de sabão,

Resistente como o aço,

Moldável como barro cru.



Tuesday, 7 August 2007

Dez princípios de uma escrava submissa



1. A escrava deve ter como objectivo máximo o bem-estar e a satisfação dos desejos e interesses do Dono, sejam de que natureza forem. Em caso algum a escrava colocará os seus interesses particulares à frente dos interesses do Dono, embora em muitas situações os interesses de ambos possam ser coincidentes.


2. A escrava deve ser para o seu Dono fonte inesgotável de prazer, alegria e descontracção. Deve por isso cultivar a sua própria boa-disposição, riqueza interior e serenidade. Deve procurar aprender e manter-se actualizada. Deve também cuidar de si de forma a ter a melhor aparência possível, e manter uma boa saúde física e mental.


3. A escrava deve ter para o seu Dono total disponibilidade física, mental e emocional. Deve arrumar a sua vida de maneira a poder responder de uma forma imediata e entusiasta a qualquer solicitação do Dono. Na Sua presença, tudo o resto é secundário, melhor ainda, esquecido. Na ausência do Dono, manterá uma postura irrepreensível, lembrando-se sempre a quem pertence.


4. A escrava deve seguir o seu Dono com devoção, onde quer que vá e o que quer que faça. Sempre ½ passo atrás, atenta e cúmplice.


5. A escrava deve empenhar-se em conhecer profundamente o Dono, os seus gostos e preferências. Saber o que Lhe agrada em cada momento e proporcionar-Lho. Deve também erradicar da sua vida qualquer factor de desagrado.


6. A escrava deve ser leve, delicada, feminina. Deve aprender a suavidade dos gestos, a humildade do olhar e saber comportar-se em todos os momentos com graça e sensualidade.


7. A escrava é também objecto de prazer sexual do Dono. Como tal, deverá estar sempre pronta a ser usada, em qualquer circunstância ou lugar, pelo Dono ou por quem este designar. Deve focar-se na satisfação dos prazeres do Dono como objectivo único. A sua própria satisfação, se a houver, será sempre opção do Dono e será sempre tomada como uma dádiva.

8. Como propriedade do Dono, a escrava deve esperar ser usada, abusada, esquecida, desejada, preterida, acarinhada, ignorada, escolhida, desprezada, sem que nada disso interfira na sua total entrega e dedicação ao Dono. Deve esperar ser castigada se o merecer, mas também se não o merecer ou compreender de imediato. E saber aceitar, oferecendo sem hesitação o seu corpo ao castigo.


9. A escrava deve ter tanto de reservada e discreta como de devassa, obscena, lasciva, ser um anjo e uma puta. E saber passar de um estado ao outro a um gesto ou olhar do Dono.


10. Por fim, a escrava deve ambicionar ser um prolongamento do Dono, mover-se ao Seu ritmo e ao Seu gosto, ser a Sua sombra e o Seu reflexo.





Ser escrava



Ser escrava submissa não é deixar de ter vontade, é ter a liberdade suprema de se deixar guiar pela vontade do Dono.

Não é viver em estado vegetativo, é ver alargar todas as possibilidades, multiplicar todas as sensações, renovar todas as experiências.

A escrava é uma pessoa responsável que de uma forma consciente e lúcida entrega nas Mãos do Dono o comando da sua vida.

Ser propriedade do Dono não a desresponsabiliza, pelo contrário cria-lhe novas responsabilidades e deveres.



Eu não sou masoquista


Eu não sou masoquista.

Não sou dessas pessoas que se deleitam com a dor, que sentem profundo prazer em entregar-se a essa estranha forma de afecto tão intensa quanto misteriosa.

Não sou dessas que deliram com o estalar da chibata no corpo nu, embriagadas pela dor que irradia do ponto de impacto até às mais remotas extremidades do corpo e volta, num refluxo de prazer.

Dessas que entregam com um sorriso o corpo às mais requintadas sevícias, aos mais sádicos castigos, em rituais de puro prazer.

Que sentem a dor como uma das mais sublimes formas de submissão ao Dono, de sujeição à Sua vontade.

Que entendem que a dor abre, estende, amplia. Aproxima, reforça, une. Leva a estados de consciência onde não se chega de outro modo.

Que não gostam da dor, mas a desejam ardentemente. Que não gostam da dor, mas pedem baixinho : Meu Dono, por favor, bata-me mais...



Monday, 6 August 2007

A refeição da cadela


Pela primeira vez hoje tomei uma refeição completa de um prato no chão.


O meu Dono chegou mais cedo do que o previsto, eu não tinha ainda almoçado.


Ao voltar à sala depois de Lhe ter pedido para almoçar, inesperadamente o meu Dono pousou-me o prato no chão a alguma distância do sofá onde estava confortavelmente sentado a fumar um cigarro.


De joelhos, palmas das mãos assentes no chão, semi-nua, lambendo e sorvendo aos poucos a comida do prato perante o olhar poderoso do meu Dono, senti-me derreter de orgulho e submissão.





Sunday, 5 August 2007

Inesperado


O meu Dono domina-me ao sabor do momento.

Estremeço quando Lhe sinto o Poder a emergir como água a entrar em ebulição, a transparecer no olhar, a materializar-se nos actos.

Deliro quando isso vem de forma inesperada, quando sem aviso prévio O sinto agarrar as rédeas e dirigir-me exactamente para o ponto onde me quer levar.

Adoro quando a minha submissão ultrapassa as nossas quatro paredes e ganha corpo por entre os outros, que sem sequer saberem, passaram a fazer parte do cenário.

Ontem, o meu Dono surpreendeu-me uma vez mais.

Chegou com um gelado inocente. Tive até direito a umas colheradas, ajoelhada aos Seus pés.

Depois, inesperadamente, quis as cordas. Enquanto me amarrava, prendeu-me um alicate de pontas no mamilo direito, preso com elásticos.

A cada volta das cordas, a cada puxão do alicate, eu sentia a humidade crescer entre as minhas pernas.

Mas nunca imaginei o que iria acontecer a seguir.

Atada em vermelho e preto e sem mais nada por baixo do vestido comprido e justo ao corpo, sempre meio passo atrás Dele, o meu Dono levou-me ao restaurante. Pelo caminho recebi as instruções. Teria que falar sobre sexo durante toda a refeição e foi o que fiz, enquanto o meu Dono comia tranquilamente.

A corda preta acetinada que saía do meu decote e dava a volta no pescoço, cruzando depois nas costas podia muito bem passar por uma tira de bikini, mas um olhar mais atento ou conhecedor, não teria a menor dúvida de que, por baixo do vestido, não havia mais do que cordas bem apertadas. As mamas bem levantadas, cingidas cada uma pela sua corda vermelha, os mamilos espetados a adivinhar-se sob o tecido liso e uma outra corda a passar por entre as pernas, a cingir-me o sexo, fazia-me senti-lo latejar.

No caminho de volta para o carro, em plena rua, o meu Dono agarrou-me pelas cordas e quase me levantou do chão, enquanto me pegava na mão e me obrigava a sentir-Lhe o sexo duro dentro dos calções.

Em casa, mandou-me trazer-Lhe as agulhas, e de joelhos aos Seus pés, mãos agora atadas atrás das costas, com gestos precisos, o meu Dono espetou-me sete na mama esquerda, duas delas a trespassar em cruz o mamilo, as outras impecavelmente alinhadas na auréola.

Depois, com o peito cravejado de agulhas, agarrou-me o pescoço. Os meus olhos pareciam querer sair das órbitas. Calmamente, o meu Dono perguntou-me : "Tens medo de mim?"

Quase a sufocar, respondi-Lhe que não tenho medo. Tenho absoluta confiança no meu Dono. Entrego-me nas Suas mãos.

Supliquei-Lhe então que me fotografasse, queria mostrar ao mundo inteiro o Seu domínio sobre mim, e expor publicamente a minha profunda submissão, mas o meu Dono foi inflexível.

Quando ao fim de algum tempo retirou uma a uma as sete agulhas, o sangue escorreu-me pela mama e pingou em grossas gotas sobre as minhas coxas.

Proibida de me lavar, dormi assim ensaguentada e feliz e é ainda assim que estou agora, com a comoção na ponta dos dedos.

Obrigada, meu Dono, por tudo o que me faz sentir. Obrigada pelo imenso privilégio de O servir.