Thursday, 28 August 2008

PRAZER PROIBIDO



Às vezes várias vezes ao dia, às vezes várias vezes seguidas. Toco-me sem me deixar vir. Aprendi por imposição um novo e insuspeitado prazer em conter o orgasmo, que ultrapassa o imediato e fulminante, o pronto-já-está-vira-te-para-lá-e-dorme. Provoco-me com pensamentos, com toques mais ou menos bruscos, mais ou menos demorados, com ordens inventadas, com vozes autoritárias dentro da minha cabeça. Com objectos, com as mãos , com jactos de água contra a pele arrepiada, com contracções e relaxamentos alternados, com dedos que deslizam pela pele escorregadia, que penetram, que esfregam, que beliscam, que tão depressa quase esmagam o clitóris como o afloram com uma delicadeza inesperada.Transporto-me para cenários de lascívia, perversão ou, mais raramente, cenas de paixão intensa onde vozes brandas me conduzem por prazeres delico-doces, diferentes formas de me mimar. Prolongo o prazer por tempo indeterminado, até atingir aquele ponto de quase não-retorno em que tenho que me esforçar para inverter o fluxo, o corpo retesado para não deixar transbordar o êxtase, mantenho-me num patamar de prazer intenso, duradouro, viciante, na antecâmara de um orgasmo iminente que nunca chega a acontecer. Porque Ele não quer.


4 comments:

Vanderdecken said...

Olá, menina!
Como homem e dominante, compreendo bem e posso testemunhar o prazer de negar o orgasmo a uma escrava. Mistério, para mim, é o prazer que a escrava tem em que lhe seja negado o orgasmo. E no entanto assisti tantas vezes a esse prazer!
Obrigado por me teres ajudado a compreendê-lo um pouco melhor

Sua escrava said...

Ora seja muito bem aparecido!Obrigada, confesso que sabe bem de vez em quando um comentário, se há pessoas que passam aqui são tão silenciosas que quase nem dou por elas...
Quanto ao resto, esse é apenas um dos prazeres, e não foi o imediato, o primeiro, o de obedecer. ( Mesmo sabendo que poderia, eventualmente, viciar o jogo...) Depois o de ser dobrada, de querer uma coisa e não ter. Depois há ainda o de conseguir controlar o que pensava incontrolável. Este, de que falo no post, foi uma aprendizagem, uma forma egoísta de tirar partido das coisas, mesmo das aparentemente adversas, tal como faço na vida. E, a maior parte das vezes, venho a constatar que afinal não são assim tão adversas... E por agora chega de dissecar as coisas, melhor é senti-las... beijos, Vanderdecken (estou de olho no teu blog..)

Cármen Neves said...

Querida! Como vai?
Posso apenas comentar o comentário?
ADOREI ler o comentário do Vanderdecken e a tua resposta. Confesso que ultimamente as imagens inseridas têm me assustado( sorriso). Beijos e saudade.( a tua toalha, pulseiras e brincos, ainda estão no pacote).

Sua escrava said...

Estás num blog que fala de bdsm, menina, há um aviso à entrada...Mas eu entendo o que queres dizer. Há algumas imagens que também me chocam, mas consigo encontrar-lhes alguma beleza oculta, algum significado (que às vezes pode não ser óbvio para quem vê, mas se-lo-a concerteza para o meu Dono), alguma coisa que mexe comigo de alguma forma e que me leva a escolhe-las para complementar aquilo que escrevo.
Quanto ao resto, quer-me parecer que tenho que ir ao Brasil buscar o pacote...;-)
beijo rechonchudo para ti também, obrigada por passares por cá - eu espreito o teu blog com regularidade e gosto sempre do que leio e vejo :-)