Monday, 26 November 2007

BDSM TÂNTRICO


A minha submissão ao meu Dono é constante, intemporal, definitiva. Não se esgota numa sessão, num encontro, num momento. Faz parte de mim, como um orgão vital.
Contudo, é naturalmente quando estou na Sua presença que sinto a minha submissão crescer, como se fosse insuflada pela comparência.
Desde o instante em que sei que O vou ver, toda eu me transformo, como numa metamorfose, desde o fundo até à superfície. Tudo o resto se esboroa e eu centro-me Nele como se todas as minhas células acorressem a um chamamento inadiável, toda eu me desloco na Sua direcção como se fosse empurrada por uma força superior impossível de conter.
Na Sua presença, eu ajoelho-me e sinto-me a reluzir. Imóvel à espera de uma ordem, é como se eu parasse o tempo, suspendesse a própria vida. Nada importa senão estar ali, à Sua disposição. O que Ele decide fazer comigo não é preponderante.
Apaziguada pela convergência dos corpos, a minha submissão não se satisfaz no toque. Ela prolonga-se nos dias como uma mancha de tinta que alastra sobre um mata-borrão.

Se Ele pudesse ver-me por dentro, ver-me-ia como que forrada a entrega, atapetada de obediência, inundada de submissão.



1 comment:

Cármen Neves said...

Querida!Pude sentir através do teu texto a intensidade desse sentimento!Felicidade esse Dono e a essa escrava,Beijos,