Wednesday, 21 November 2007

EMPRESTADA


Sai de casa à hora marcada. A gabardine discreta não fazia imaginar a minha nudez. Unicamente meias pretas de liga e sapatos "fuck me". Subi a gola, para encobrir a coleira. Cabelo apanhado, mãos nos bolsos, olhos no chão. Tudo tal qual me fora ordenado pelo meu Dono.

" E fazes exactamente tudo o que te for mandado, como se fosse eu a ordenar."

A porta do carro abriu-se, eu entrei para o banco da frente, sem levantar o olhar. Foi-me de imediato colocada uma venda e, sem uma palavra, o carro arrancou. Ao princípio consegui seguir o trajecto mas rapidamente perdi a noção do rumo que tomavamos.

Recapitulei : havia pelo menos duas pessoas no carro. Uma atrás de mim, que me tinha vendado e a quem eu sentia agora a respiração pesada, e o condutor. Não fazia a mínima ideia onde ía nem com quem ia. Sentia-me pendente num ponto indefinido entre o medo e a excitação. Percebi que tínhamos deixado a cidade, pelo piso, pela escuridão e porque deixou de haver semáforos o que foi um alívio pois cada vez que paravamos eu inquietava-me com a ideia de que o condutor do carro ao lado me estivesse a ver com a venda nos olhos.

As pessoas a quem eu estava entregue continuavam sem trocar uma única palavra, não havia música, só o carro a deslizar sobre a estrada lisa.

Seguimos por essa estrada durante bastante tempo, depois devemos ter apanhado uma estrada secundária porque o piso era agora irregular e seguíamos bastante mais devagar.

Ao fim de mais algum tempo o carro parou.

Pela primeira vez desde que saíramos, certamente em mais de uma hora de viagem, uma das pessoas falou : - Vai à frente e abre. Eu levo-a. - uma voz grave de homem.

A porta abriu-se e eu senti um puxão. Fiz força para me levantar mas ainda assim desiquilibrei-me e quase caí.

O homem agarrava-me por um braço e ora me puxava ora me empurrava para me manter num caminho estreito de acesso ao sítio para onde me levava. Subi um degrau e a porta fechou-se atrás de mim, fazendo um estranho eco.

O homem levou-me mais uns passos e fez-me parar. Retirou-me então a venda e fez-me descer uma escada íngreme, mantendo-se atrás de mim. Quase não havia luz o que tornava tudo bastante mais difícil.

Cheguei finalmente a uma sala ampla, totalmente vazia, excepto a um canto uma mesa grande de aspecto robusto. Os meus olhos, sempre baixos, foram-se habituando a outro tipo de escuridão e comecei a conseguir vislumbrar na minha frente uma espécie de cavalete de madeira, que me dava um pouco abaixo da cintura.

" Tira a gabardine". Tirei por fim as mãos dos bolsos e deixei escorregar a gabardine. "Curva-te". Dobrei-me sobre o cavalete. Foi então que vi duas enormes argolas de metal, chumbadas no chão de cimento, afastadas cerca de 60/70 cms. O homem à minha frente, baixou-se e percebi então que estava encapuçado. Prendeu-me cada pulso com uma corrente forte e cada corrente a uma das argolas.

Subitamente percebi o outro homem atrás de mim. "Abre as pernas" - enquanto me puxava pelo tornozelo e me fazia exactamente o mesmo a cada perna, prendendo as correntes a outras duas argolas atrás de mim.

Fiquei dobrada sobre o cavalete, braços e pernas abertos e presos por grossas correntes às quatro argolas no chão. O meu coração batia descompassadamente. "Confio no meu Dono, confio no meu Dono" foi a única coisa que consegui pensar.

3 comments:

Cármen Neves said...

Um texto excitante! Senti arrepios!
Diga-me uma coisa: Era o teu Dono, né?!

Sua escrava said...

A história ainda não acabou... arrepios, sim, eu entendo.

Cármen Neves said...

Bom saber que não terminou!Os arrepios não sou de medo. risos
Enviei alguns e-mails para ti. Aguardo respostas.
Bom fim de semana, minha querida!